domingo, 19 de junho de 2011

Capítulo 6
Capítulo 4

Capítulo 4

Quando terminamos de nos vestir, voltamos ao jardim. Ainda estava temerosa quanto a Isabella saber do meu “envolvimento” com Emmett, mas “o que não tem remédio, remediado está”, já dizia um velho ditado.

Assim que avistei meus companheiros de laboratório e o chefe competindo, fiquei mais tranqüila. Não sentiram minha falta.

— Vamos sair daqui, Rosalie? Gostaria de ir ao laboratório e provar sua teoria.

Nas feições de seu atraente rosto era evidente que estava ansioso, como sempre estava quando nos achávamos perto de conseguir um resultado positivo.

Como adoro seu entusiasmo e sua determinação! Gosto da ideia de termos mais que prazeres sexuais juntos, mas termos as mesmas ambições também.

Acabei por proteger meus olhos do sol e procurar por Alice. Precisaria que ela me levasse para o laboratório, afinal estava sem meu carro.

— Vem comigo, Rose. Podemos ir em meu carro e em seguida te levo para sua casa... Se assim desejar até lá...

Sua mão instantaneamente contornou minha cintura e me trouxe para perto de seu corpo. Emmett exalava sexo e meu nariz era ávido em buscar mais e mais aquela fragrância.

Senti seu dedo em círculos pela minha pele enquanto simplesmente me concentrava naqueles seus jogos. Era óbvio para mim que quando ele me tocava daquela maneira, como se realmente significasse algo para ele, eu tinha problemas em me controlar e não expor todo o sentimento ridículo e pastelão que sentia por aquele gigante.

Sabia que deveria deter aqueles jogos íntimos, sabia muito bem que tinha provocado semelhante excitação nele, mas era incapaz de abandonar os jogos.

Respirei fundo armazenando aquele olor que provinha daquela pele e pensei em criar um antídoto para mim; algo como anti-emmett.

— Vá você na frente. Irei com Alice. Não trouxe roupa para me trocar, assim terei que passar primeiro em casa.

Ele sacudiu a cabeça e esticou a mandíbula. Merda! Teria que contar a verdade. Sabia que ele estava prestes a me contestar e dizer poucas e boas como faria se no laboratório estivéssemos.

— Preciso de... De calcinhas. As minhas estão magicamente rasgadas.

Ele gargalhou, divertido. E se eu não soubesse que não fazia seu tipo, poderia dizer que havia um brilho em seu olhar como se de contentamento por saber que havia sido o responsável por isso.

— Consigo outras para você.

— Nos vemos no laboratório, Emmett.

— Está bem. Não demore. Será incrível.

Assim que Emmett se afastou comecei minha procura por aquela anã que deveria ser minha fiel escudeira e não a primeira a me atacar pedras. Um biquíni amarelo canário estendido em uma das espreguiçadeiras, fez com que eu me movesse até ela.

— Olá. Preparada para sair daqui?

— Onde esteve? Estou preparada há mais de uma hora. – Alice dizia isso em meio a um bocejo que me deixou preocupada.

Uma hora? Não podia ser que tivessem passado uma hora encarcerados no lavabo.

— Vamos logo.

Deixei minha mão para que Alice aceitasse ajuda para se levantar, mas assim que o fez me arrependi. Aquela baixinha pousou as mãos em sua cintura e apenas me encarou com os lábios em um grosseiro sorriso.

— Então Rose, nada a me contar?

Não pensei duas vezes ao dar as costas para Alice. Agora não era o momento de deixá-la se vangloriar sem ao menos saber o que se passou... Não há desejo, é apenas o experimento ainda em seu efeito final...

— Vamos logo Alice, não temos tempo a perder. E sei que está louca para elaborar suas conclusões.

Alice se achegou ao meu lado e caminhamos até o carro.

— Ontem à noite te disse que Emmett se deitou contigo porque gosta, e não pelo potencializador.

Abri a porta do carro e parei para encará-la por cima do teto.

— Me diga algo, Alice… Você estava presente quando provamos o potencializador. Quanto tempo permaneceu ativo no sistema de um homem?

— Não engulo sua teoria nem por um segundo. Embora o potencializador seguisse em seu sistema, o que duvido, poderia ter escolhido a qualquer dessas piranhas, e em troca tornou a escolher você. Se conscientize Rose, esse cara gosta, e muito de você.

Filha da puta de anã. Meu coração deu um coice ao ouvir suas palavras. Certo, os efeitos normalmente duravam pouco mais de doze horas, e já tinha passado mais tempo. E sim, Emmett poderia ter escolhido a qualquer piranha, em meu lugar. Aquilo era óbvio.

Podia ser que Alice tivesse razão?

Emmett gostava de mim?

Por acaso se congelou o inferno?

Me enfiei no carro em meio aquelas perguntas que rodeavam minha cabeça.

— Agora dá para contar? Finalizou o homem? Ele é o deus do sexo que dizem por aí?

A cada segundo me perguntava por que não matava Alice e sumia com seu corpo... O ciúmes ao ouvir as palavras “deus-do-sexo” vindas dela, brotou como uma jazida de petróleo recém descoberta.

— Não.

Era eu ou o ambiente ficou carregado?

Fui obrigada a baixar a janela e respirar profundamente.

O fato de pensar que Emmett era bom e que já havia se deitado com tantas e melhores mulheres que eu, me deixava lastimosa e com o fel em minha língua.

— Não? O que quer dizer, que não é bom ou que não acabaram o que começaram?

— Não utilizaria o termo «bom», Alice. Ocorrem-me outros, como incrível, alucinante, irreprimível, delicioso, fodástico, que o definem melhor. E não, não acabamos o que começamos… Não tínhamos camisinhas.

Um suspiro de impaciência encheu o interior do carro e não havia partido de mim.

— Minha mãe, é que não aprendeu nada comigo? — Alice abriu o porta-luvas, tirou uma réstia de preservativos de tamanho extra-grande e os agitou em minha cara. Logo arqueou uma sobrancelha. — Estou errada se achar que ele usa extra grande?

Novamente a vontade se tornou insuportável em acabar com Alice e esconder seu corpo. Talvez se contasse a Emmett o que se passava com essa baixinha, ele me ajudaria.

Engoli o orgulho e a saliva venenosa para não mandar ela se fuder.

— Sem sombra de dúvida.

— Se quer estar com ele outra vez e acabar o que começaram, tem que o seduzir. Isso é o que eu faria.

A mão de Alice desceu reta e dentro da minha bolsa, me suprindo com uma grande quantidade de camisinhas.

É até que ela está a salvo...

— E leva sempre contigo um contrabando destes. Nunca sabe o que pode acontecer estando ao lado de Emmett no laboratório.

E voltou a lista de matar-assim-que-possível.

Assim que empurrei a porta de segurança do prédio, Emmett estava de volta aos meus pensamentos. Merda, a quem tentava enganar? Emmett sempre estava em meus pensamentos.

Ainda não podia acreditar que nos lançamos um sobre o outro daquela maneira no lavabo do diretor, e tampouco que tivessem feito todas aquelas coisas, eróticas e estimulantes, com os cubinhos de gelo da limonada. Nunca antes tinha sido tão atrevida, tão ousada. Nem tão temerária.

O sexo era fantástico, isso era evidente, mas quanto mais tempo passava entre os braços de Emmett, menos poder tinha sobre minhas emoções. E pensar que tinham que provar o inibidor de novo.

Merda!

Enquanto subia as escadas para meu apartamento, dei-me conta do quão esgotada que estava. Nada me agradaria mais que ir à cama e dormir uma semana seguida, mas sabia que ainda não podia fazer. Tinha que fazer um esforço hercúleo e me encontrar com Emmett no laboratório para comprovar minha teoria.

Assim que encostei a chave na fechadura, a porta se movimentou.

Eu fechei isso de manhã? Claro que fechei... Duas voltas como todo santo dia.

A escuridão no interior de meu apartamento não me permitia ver muito e logo que entrei procurei o interruptor, pedaços de vidro rangeram quando os pisei. Senti meu coração a boca.

Segundos antes que conseguisse sair do apartamento, alguém de grande dimensão apareceu de repente correndo para mim. O desequilíbrio foi grande fazendo com que eu batesse a cabeça contra o corredor e logo o chão foi meu destino certo.

As pisadas do intruso ressonaram no saguão e logo foram afastando-se escada abaixo até que perdi a visão completamente.

Creio que apenas alguns minutos se passaram quando consegui reunir forças e ficar em pé. O enjôo era forte e minha mente ainda girava, quando ouvi a voz de uma Alice nervosa.

— O que aconteceu? Vi um homem sair correndo do edifício.

— Chame o detetive Mike. Seu cartão está em cima da cômoda. Acredito que acabo de pegar em flagrante o filho da puta que entrou no laboratório.

Emmet POV

Acho que nunca havia dirigido tão rapidamente ao centro de investigações como hoje. Uma ducha era mais que necessária, embora não quisesse me cercear do cheiro de Rosalie que permanecia em meu corpo.

Por sorte, tinha um jeans e uma camiseta sobressalente em meu armário. Na hora seguinte, passei preparando e esquenta com supremo cuidado o novo composto. Uma vez completado, apliquei uma dose com uma seringa de injeção e a administrou ao Clyde. Quinze minutos antes lhe tinha dado um potenciador, e o pobre animal não tinha deixado de dar voltas pela jaula como uma pantera em busca de Bonnie e de alívio. E eu conhecia perfeitamente aquela sensação.

Tinha de admitir que o que se passou na noite anterior, com Rosalie, não tinha tido nada que ver com o potenciador da libido que corria por suas veias. Na realidade, estava louco por ela.

Não havia como não se encantar por ela à primeira vista naquele laboratório. Gostava de tudo nela. A beleza de seu rosto, de seu cabelo e de seu corpo. Inclusive aquele maldito tique nervoso de morder o lábio inferior ou humidificá-los com a língua. Admirava ainda sua energia e dedicação ao trabalho, sua faceta aventureira e sua energia física. Mas o que mais gosto nela é sua inteligência.

Puta que pariu, não só admirava, como me excitava. Nenhuma mulher tinha conseguido antes algo assim.

Jamais me teria ocorrido que no processo de derreter a Princesa de Gelo acabaria encontrando algo que tanto tinha desejado: Eu não era um fodido Cullen quebrado. Eu havia encontrado a pessoa certa para me acalentar.

E agora que finalmente tinha encontrado, remodelaria meu estilo de vida. Galinha nunca mais, tarado e safado? Sempre, mas nos braços dela!

Até aquela noite não tinha sido consciente do quão sozinho me sentia, quão cansado estava da vida de solteiro, de voltar para casa sempre sozinho, de comer sem ninguém que lhe fizesse companhia, de despertar todas as manhãs em uma cama vazia. Nunca tinha levado mulheres em minha casa. Era menos complicado passar a noite na delas e logo, chegado o momento, escapar.

Pela primeira vez em minha vida queria levar alguém ao meu território. Desejava poder despertar ao lado daquela mulher doce e carinhosa, cálida e de tato agradável. Queria sentir o corpo de Rosalie entre meus braços, despertá-la com beijos e passar o fim de semana falando de tudo e de nada com uma xícara de café entre as mãos. Queria compartilhar com ela tristezas e também alegrias.

A noite que tínhamos passado juntos no apartamento dela não tinha satisfeito meu apetite, como pensava que ocorreria.

Estava me perdendo cada vez mais nela, em corpo e alma.

Ao final, tudo se reduzia ao seguinte: queria Rosalie, tão dentro como fora da cama.

Podia explicar a ela todos aqueles sentimentos, mas por que ela acreditaria em mim? Fui um fodido playboy, safado e canastrão. Não era de se duvidar que Rosalie me rechaçasse e a culpa era única e exclusivamente minha.

Mas aquilo teria que esperar, porque agora queria demonstrar que me importava em estar com ela e podíamos estar muito bem além de uma cama. Queria demonstrar que ele era um homem que valia a pena.

Voltei a atenção ao coitado Clyde que percorria sua roda de exercício como um fodido tarado, tratando de queimar o excesso de fogosidade.

— Se tranquilize amiguinho, ou acabará se machucando.

Abri a outra jaula que havia sobre a mesa e peguei Bonnie entre as mãos.

— Espero que, com um pouco de sorte, a fórmula funcione e Clyde te dê uma pausa.

Abri a portinhola e a deixei em um canto. Clyde desceu da roda, levantou-se sobre as patas traseiras e farejou ao seu redor.

Onde estava Rosalie? Por que raios, demorava tanto?

Observei Clyde farejar como um louco e, repentinamente, o vi tombar em posição fetal. Em questão de segundos estava dormindo.

Tinha funcionado.

Queria pular, gritar, correr aos braços de Rosalie e lhe cobrir a boca. Agora eu me sentia completo e a queria por perto. Onde ela estaria?

Fui até a mesa para anotar os avanços, quando o celular soou.

— Alô.

— Emmett, é Alice.

— O que aconteceu?

— Venha para casa de Rosalie. Alguém entrou em seu apartamento e ela está ferida.

Meu coração pulou uma batida e meu sangue se congelou. Rosalie estava ferida. Como? Onde? Quem lhe tinha feito mal? Antes que tivesse tempo de formular todas aquelas perguntas, a anã desligou.

Conduzi até a casa de Rosalie a uma velocidade de vertigem e cheguei em um tempo recorde.

Estacionei detrás de dois carros de polícia, enquanto se formava um nó na boca do estômago. As luzes azuis e vermelhas das patrulhas iluminavam a calçada, bordeada por uma fileira de árvores.

Aquilo era real, minha garota estava machucada e eu não havia feito nada para defendê-la. Minha garota? Minha garota? Meu cérebro dava voltas até que o nó se desfez: sim, minha garota.

Nunca subi tão rapidamente escadas, como o fazia agora. A porta do apartamento de Rosalie estava aberta e a localizei sentada no sofá, em um canto da sala de estar, sujeitando uma bolsa de gelo contra um lado da cabeça. Alice estava sentada ao seu lado, enquanto os oficiais, os mesmos que tinham ido ao laboratório a noite anterior, revolviam entre a desordem e procuravam pistas.

Atravessei o cômodo com passo firme, pisando em um abajur pelo caminho. Olhou o rosto cinzento de Rosalie e senti que meu sangue gelava nas veias. Parecia tão frágil tão vulnerável… Queria agarrá-la em meus braços e fazer desaparecer qualquer problema de sua vida.

— Rosalie, está bem?

Empurrei sutilmente Alice para que me deixasse sentar ao seu lado e acarinhá-la.

— Estou bem. – Seu sorriso amarelo e seu olhar cabisbaixo me dava mais ódio do miserável que houvesse lhe causado mal.

— Não está bem. — Peguei a bolsa de gelo para que não precisasse mais segurar e olhei para Alice, buscando alguma ajuda. — Se importaria conseguir uma manta?

— Claro.

Alice se levantou e passou pelo detetive. Quase não tive tempo de me segurar para não chacoalhá-lo cobrando maior segurança a Rosalie.

— Quem é o responsável por isto?

— Estamos trabalhando nisso.

Não havia mais nada que eu odiasse tanto quanto um detetive desajeitado que não fazia a menor noção do que se passava.

Me culpava por não tê-la forçado mais para ir comigo ao laboratório. Tudo podia ter sido diferente.

Tomei-a em meus braços oferecendo um pouco e nem tão pouco de meu calor e carinho. Assim que Alice voltou com a manta, a agarrei envolvendo-a mais ainda.

— Suponho que tudo isto tem a ver com o que aconteceu no laboratório…

O detetive assentiu em tempo de ouvir o que era música aos meus ouvidos.

— Acho que sim, procurava os arquivos, mas cheguei antes que os encontrasse.

Ela parecia contente com isso e eu adoraria espalmar aquela bunda para mostrar que nada era mais importante que sua segurança, mas apenas afastar a bolsa de gelo para ver a ferida já lhe causou uma dor.

— Os arquivos não importam. O único que importa é que você está a salvo.

— Claro que os arquivos importam.

— Acredito que deveria ver um médico. Está delirando ao pensar que seua vida é inferior aos arquivos.

— Tá, tá, tá... Deixe disso, estou bem e não preciso de um médico.

Meu estomago revirava com sua teimosia, mas ao mesmo não queria que ela pensasse em mais nada…

— Deveria dormir na minha casa.

— Não, nem pensar.

Esqueci de avisar que odeio NÃO... Palavra chata e complicada.

— Sim, claro que sim, Rosalie.

— Mas…

— Não discuta comigo. Não passará a noite aqui. Até que não detenham detido quem fez isso aqui... Sua casa já não é segura.

— Sei que não é segura Emmett... Mas recusei sua oferta, já que Alice me ofereceu sua casa.

Alice? Alice? Então a filha da mãe, empata foda e carinho da anã, era a responsável por ouvir a negação da boca desejosa de Rosalie?

Acredito que meu olhar “vou te matar, esquartejar e vender ao próximo açougue” fez com que Alice agisse teatralmente.

— Ai Rose, acabei de lembrar que não pode passar a noite em minha casa. Estou pintando o quarto de hóspedes.

— Perfeito, então já está tudo resolvido. Virá comigo.

— Alice… — Rosalie dava um claro aviso para Alice, e a minha vontade era de rir, tomá-la em meus braços e sair dali o mais rápido possível, antes de soltar uma sonora gargalhada.

A princesa de Gelo estava receosa de ficar sozinha comigo?

— Já me conhece, não tenho memória.

Rosalie soltou a respiração até então presa fazendo com que meus braços a apertassem mais contra meu peito. A mensagem era clara: eu a protegeria do que precisasse.

— Está bem.

Batalha vencida, tratei de levantar do sofá a puxando para mim.

— Vamos para casa... Ainda tenho que lhe por na cama.

Algo em minhas palavras a amoleceram. No segundo seguinte, Rosálie estava totalmente resvalando em meu corpo, deixando com que seu meu joelho roçasse aquelas saborosas coxas.

O ar entalado e quente proveniente de nossos pulmões se mesclavam em meio aquele ambiente sombrio de investigação. Nossos olhares se cruzaram em uma tentativa clara de comunicação não verbal.

Seu rosto se nublou e enrubrou. Rosalie era demais de linda.

— Tenho que recolher minhas coisas e tomar banho.

E não mais que rapidamente se virou contra mim, sem soltar minha mão. Ela me conduziu para o corredor enquanto recolhia sua mochila. Podia estar incomoda comigo ali, mas a segurança que lhe passava era maior.

— Vá tomar banho. Ficarei aqui a seu lado e prepare uma boa mala, porque ficará em minha casa até que esteja segura... Totalmente segura.

O que estava nas entrelinhas e Rosalie pareceu não entender, era que, uma vez em minha casa, não a deixaria ir nunca mais. Essa mulher tinha aberto meus olhos e o coração. Nunca mais ele estaria seguro sem ela.

Quando saímos do apartamento e entramos no carro, já era noite fechada. A observava com aquele conhecido “olhar 43” que sempre usava para saber sua localização no laboratório, aquele mesmo que sempre garantiu o anonimato dos meus sentimentos.

No momento em que seu tique pareceu-me descontrolado, não pensei em mais nada a não ser assegurar-lhe que tudo estaria bem. Tomei suas mãos e apertei com ternura e desejo de trazer a boca e beijar, mas me retive antes de precipitar as coisas.

— Está segura de que não quer ver um médico?

— Estou bem, de verdade. Sabe que só foi um galo e não precisamos de um estudante ensonado atestando tal fato.

Deus! Ela me punha louco e desejoso cada vez que sorria daquela maneira. Seria capaz de colocá-la em minha cama e manter as mãos afastadas dela, quando a única coisa que podia pensar era em beijá-la, acariciá-la e acabar o que tinham começado no lavabo do diretor?

Queria que ela me considerasse algo mais que um playboy amalucado, algo mais que o Emmett Cullen “O Selvagem” de que todos falavam, e para isso tinha que manter minhas mãos a boa distância e pensar numa estratégia. E rápido. Tinha que conseguir que Rosalie visse nele alguém com quem ter uma relação séria e não só um sexo casual regado a experimentos amalucados.

E puta que pariu como isso é difícil. Nunca passei por isso antes e nunca li nada parecido com “Como conquistar a mulher da sua vida após ter sido um maldito pegador”. Não podia enfiar o pé na jaca e perder a oportunidade de tê-la. Para tanto, uma coisa é certa: enquanto ela dormisse em minha cama, devo me manter longe dela…

Exceto se ela me convidar para acalentar seu corpo, sua boca… Seduzir aquela pele macia e cheirosa.

Merda, o Pequeno Emmett acaba de voltar para a vida.

Recorri as antigas técnicas ninjas, “encoxar a mãe no tanque, encoxar a mãe no tanque”, para não pensar na Princesa ao meu lado e assim conseguir resistir a tentação.

Um barulho semelhante a um rugido preencheu o ar sereno do carro.

— Acho que isso é fome...

— Um pouco. — Outra vez o rugido invadiu o carro e u tinha ciência que não provinha de mim. Gargalhei olhando para o ruge presente em sua bochecha. — Ok, Certo, admito, estou faminta.

— Claro! Não comeu o sanduíche.

E eu quis me matar a machadinha com o olhar de Rosalie. Mas precisava consertar antes que o clima piorasse... Afinal eu estava dispensando praticamente todos os meus casos com uma única conversa

— Desculpe. Distraí-me um pouco. Tinha um… Assunto para terminar. Sinto muito.

— Não, não sente. – O sorriso era resplandecente ao me pegar na mentira.

— Certo, pegou-me, mas assumo todas as minhas responsabilidades.

— Assim que eu gosto.

Consegui relaxar com seu tom brincalhão e me arrisco a pensar que ela estava até feliz.

—Conheço o lugar ideal para jantarmos. Um restaurante italiano daqueles autênticos, onde as receitas passam de geração em geração. Que tal?

A resposta mais eficaz veio de um rugido ainda maior de seu estomago. A gargalhada imperava no carro quando me arrisquei olhá-la.

— Soa ótimo Emm...

Emm... Mesmo sendo a forma abreviada de meu nome, soou como música aos meus ouvidos. Carinho estava implícito ali sem eu ao menos pedir. A felicidade transbordava, mas conhecendo a Princesa do Gelo, isso talvez fosse apenas reflexo de um dia intenso e cansativo.

Em menos de meia hora chegamos ao Bella's. Desliguei o motor e a olhei.

Ela parecia mais animada e seu corpo se amoldou ao banco.

— Ouvi falar deste lugar. Não precisa reservar antes?

— Não. Digamos que eu tenho bons contatos...

— Imagino.

— Ei mulher, não pense besteiras! Costumava passar muitas horas aqui quando pequeno. Cresci justamente naquela rua, virando a esquina. – Lhe disse apontando o cruzamento.

Algo em minhas palavras parecem intrigá-la.

— Sério? Seus pais ainda vivem aqui?

— Não, meu pai se foi quando eu era um menino e minha mãe… Bem, ela e eu nunca nos demos muito bem. Acredito por eu parecer meu pai... Por fim, ela morreu há alguns anos..

Senti quando suas mãos me tocaram, mas receoso em encará-la e acabar lembrando as duras palavras de minha mãe, continuei cabisbaixo.

— Sinto muito, Emmett. Não posso nem imaginar quão duro deve ter sido para você. Sempre me dei bem com meus pais. Ainda hoje seguimos nos reunindo cada domingo para comer juntos.

Procurei sorrir ante suas palavras e simplesmente assinalei com a cabeça o restaurante.

— Esme e Carlisle me trataram sempre como a um filho. Inclusive paguei a universidade trabalhando em sua cozinha. Vamos, quero muito que os conheça.

Assim que sai do carro, fiz questão e rodear o carro e logo abrir-lhe a porta. Meu lado cavalheiro, até então adormecido, fez questão de acordar naqueles momentos fulminantes de conquista.

Rosalie tremeu ao sentir o frio ar da noite sobre a pele e logo a cerquei com meu braço oferecendo o calor do meu corpo. E sim, nenhum desses movimentos teve conotação sexual...

Apenas esqueci de avisar ao Pequeno Emmett que não deveria se manifestar. Droga!

Abrir a porta daquele local trouxe com o suave murmúrio de vozes e música, a sensação de casa. Logo o tentador aroma do pão recém assado e dos molhos italianos.

Procurei pelo restaurante até encontrar com Carlisle Masen, que já se apressava em cruzar a sala em nossa direção.

— Emmett, menino. Vamos, entrem, entrem. Esme vai se alegrar tanto de te ver. Passou muito tempo da última vez que nos visitou.

O típico comportamento italiano, cercado por um abraço acolhedor já estava presente. Logo, Jasper já aparecia.

— Vagabundo! Resolveu aparecer. Mamão ficará feliz em lhe ver aqui.

— Jasper, chama sua mãe. – Carlisle rapidamente ordenou a Ed que saiu em disparada a cozinha.

Minutos mais tarde, Esme apareceu na porta da cozinha e meu coração se encheu ainda mais de amor. Por mais difíceis que tivessem sido as coisas em sua casa, sempre contei com Esme. Desde que me entendia por gente, ela me tratou como seu filho, desde as graças e conquistas, até as parte dos problemas pertinentes a cada fase etária.

— Emmett, venha cá e me dê logo meu beijo.

Puxei Rosalie comigo e logo estava abraçando e beijando Esme.

— O que? Agora que é um brilhante cientista já não tem mais tempo para sua família é?

— Sinto muito, Esme. Estive trabalhando dia e noite. Prometo que a partir de agora passarei para vê-los mais frequentemente. Como está a vovó?

— O mês que vem faz noventa e oito anos. Virá, não é?

— Me viu perder isso alguma vez?

Com um sorriso brilhando de novo em sua face, Esme beliscou minhas bochechas e, eu comecei a me preocupar com a impressão que Rosalie estava tendo.

— Ah, é um bom menino, Emmett Cullen. Tem um coração de ouro, esse meu filho. Sabia que seria diferente dos outros... Que não ia se dedicar a romper corações como mais um Cullen? Ele não é mais um Cullen de frio coração.

E era exatamente isso que eu temia. Esme trazer a tona a falha de caráter genética que carrego nesse maldito sangue. Olhei Rosalie de rabo de olho. Graças a ela, sei que sou capaz de algo mais. Quero ser um homem melhor. Por ela. E também por mim mesmo.

Carlisle sorriu a sua esposa com a paciência dos que levam toda a vida juntos.

— Sim, Esme, disse isso. Muitas e muitas vezes.

Resolvi interromper a sessão “Vamos entregar os podres do Emmett” para finalmente:

— Apresento-lhes Rosalie. Trabalhamos juntos no laboratório.

Rosalie POV

Embora eu soubesse que os pais de Emmett não estavam por perto, Esme me olhou como uma ave de rapina esperando pela presa. Esse era um olhar de sogra que eu não gostaria de ter conhecido, mas logo a mão de Emmett, inconsciente em minha cintura, me deu mais apoio do que qualquer outra ação.

Por fim, soltei minha respiração e sorri.

— Gosto desta garota, Emmett. Não está magra como uma cenoura. Tem umas curvas preciosas, como toda mulher que aprecie ser uma. Seguro que come comida de verdade e não só alface.

Enquanto Esme me descrevi, senti o olhar de Emmett sobre meu corpo. Era evidente o prazer que senti, já que corei como uma menina de colégio ao ser elogiada por seu trabalho, mas até aí pude agüentar.

— Esta é para sempre?

E já não podia agüentar mais nada…

— Esme! Você sempre me pergunta o mesmo.

— E seguirei perguntando isso até que me diga o que quero ouvir.

Então eu não era a primeira a qual ele trazia aqui. Patética Rosalie, patética ao pensar que aqui era especial para ele...

— Sim, Esme, esta é para sempre.

Meu coração ousou pular uma batida e precisei me esforçar para que não notassem. Se suas palavras fossem ao menos, um pouco, verdadeiras…

A mulher então deu uma palmada me assustando e logo me abraçando com fervor.

— Sabia, sabia. Jasper, vamos, venham todos! Temos que celebrar.

Finalmente os outros me notaram e fui cercada pelo tal Jasper, que gentilmente me levou para uma mesa, enquanto Esme ainda apertava as bochechas de Emm.

— Espero que não tenha pressa e medo. Minha mãe fica sem ver Emmett durante um bom tempo e quando o faz, traz a tona todas as peripécias infantis. E também não se preocupe com as cutucadas ligeiras, apenas sorria.

Sorri e sentiu uma simpatia imediata por Jasper.

— Não se preocupe, não tenho pressa e nem medo.

Jasper chegou mais próximo a mim e seu sussurro saiu mesmo como confidência.

E apenas para que conste, é a primeira a qual ele diz que é para sempre.

Meu sorriso não aumentou como eu desejava, mas lá estava e lá ficou. Mesmo quando sentei em uma grande mesa redonda que ocupava o fundo do restaurante, junto à porta da cozinha.

Emmett caminhou logo para a mesa ainda sem tirar os olhos de mim. Meu corpo reagia como uma bateria incendiada.

— Não são geniais?

— São maravilhoso, Emmett. Não é de estranhar que você adorasse passar as horas ociosas aqui.

Havia dez cadeiras ao redor da mesa, assim supus que devia ser um clã extenso. Talvez Jasper não fosse filho único…

Carlisle voltou com uma garrafa de Chardonnay e quatro taças. Estranhei já que estávamos em cinco, mas enquanto servia o vinho, Esme retocou o coque, tirou o avental e tomou assento ao lado de Emmett, não pegando em taça alguma.

Jasper deixou uma fogaça de pão recém assado e um pote com manteiga no centro da mesa. O aroma que desprendiam era incrível.

— Mmm, cheira muito bem.

Jasper, que logo se sentou ao meu lado, apenas disse em voz baixa:

— Ataca. Podem passar horas antes que a deixem partir. Levou quase quatro horas quando Emmett veio da última vez.

Começamos a rir e logo senti os olhos de Emmett sobre mim. Talvez fosse minha imaginação fértil, ou realmente Alice tinha razão nas coisas que andava colocando em minha cabeça...

Assim que nosso olhar se cruzou, apenas sorrimos. Deus, cada vez que ele me olha dessa maneira, como se fosse a pessoa mais importante do planeta, a batedeira atinge minhas pernas.

Senti uma pontada no coração. Era como se estivéssemos conectados. Sob uma fina capa de pele, meu sangue pulsava com paixão e desejo, e com algo mais. Algo que não me atrevia a nomear. Algo que Emmett Cullen, o Selvagem, não tinha intenção de me dar. Se fez um nó em minha garganta. Jamais deveria ter me permitido sentir algo por ele.

Desejo-o com tanta intensidade que meus próprios sentimentos me assustam. Como pode, queria que me olhasse com paixão, desejasse minha pele nua como o fez por duas vezes... Mas agora desejava que isso fosse ad eterno.

Merda! Respirei fundo espairecendo a mente e me refugiei no vinho e pão, enquanto observava todos na mesa conversando avidamente.

Esme parecia feliz em relembrar travessuras de um Emmett até então desconhecido por mim. Ele tinha muito amor por essas pessoas da mesa. Tanto que era palpável.

Novamente MERDA! Esse afastamento do laboratório já não estava me fazendo bem, ainda mais ao lado dele... Isso já estava causando estragos talvez irreparáveis em mim. E minha imaginação não ficou atrás, mais uma vez, ao ouvir a risada de Emmett, profunda e sensual, revolvendo tudo em meu interior.

Se não criasse logo um muro para me proteger meu coração desse sentimentalismo, logo, precisaria de uma bússola para encontrar uma saída dentro de mim.

Fui tirada do meu fantástico mundo do “tudo é fácil para a Princesa do Gelo” pó um homem jovem, atraente e de pele escura que pôs a cabeça pela porta da cozinha.

— Esme, necessitamos de você.

— Sim, Seth, vou agora. — respondeu ela exasperada, agitando as mãos no ar. — O que fariam sem mim?

— Bom, se compartilhasse as receitas de sua família com o Seth, ele também poderia fazer os molhos.

E no mesmo instante ele se encolheu sobre mim, como se tivesse medo de Esme, que já virava com um dedo apontado em seu rosto.

— Ah, Emmett, te converteu em um homem bonito e respeitável. Há gente que ainda vem ao restaurante perguntando por sua especialidade.

Emmett logo se afastou de mim com um olhar envergonhado. Tomou a taça de vinho e a bebeu de um só gole. Imediatamente, seu pescoço se tingiu de um vermelho intenso.

O QUÊ? Emmett Cullen ruborizando-se? Era demais para meu coração. Não podia acreditar na adorável cena que acabava de acontecer diante aos meus olhos.

— Que especialidade? – Fiz a pergunta sabendo que talvez causasse ainda mais rubor nele.

Emmett abaixou a cabeça ainda mais, enquanto Esme tentava lhe acariciar a face.

— Emmett faz os melhores lingüines que já comi. E olhe que ensinei tudo o que sabe.

— É… Bem, sim, mas ainda não me ensinou a fazer o molho que os acompanha.

A discussão filho e mãe estava linda de se observar, ainda mais que Emmett permanecia corado. Suas mãos irriquietas entre seu colo e a taça de vinho me diziam que ele estava mais que constrangido, embora tentasse não demonstrar.

— Sério? Lingüine e Emmett? Acho que isso não combina muito bem... — No momento em que a frase deixou meus lábios quis me enfiar sob a mesa.

Os olhos de Emmett arderam em minha direção e me deixaram a impressão que caso não estivéssemos em um ambiente repleto de pessoas, eu estaria sobre essa mesa estendida e ele me mostraria “seu lingüine” tranquilamente.

— Vamos, Emmett. Mostre a Rosalie o que sabe fazer.

Ele me olhou e naquele momento me senti a menor, mas a mais importante, mulher ao seu lado. Toquei seu braço como havia tentando não fazer desde que nos sentamos e:

— Adoraria vê-lo preparar lingüine. De fato, adoraria que me ensinasse.

Meu coração começou a pulsar com mais intensidade e por um instante acreditei que, pela forma em que ele me olhava, aquilo realmente era para sempre.

Era possível?

— Então, feito. Venham, os dois.

Segui Esme à cozinha com Emmett em nosso encalço. O intenso aroma das especiarias invadiu meus sentidos. Nunca antes tive acesso à parte mais privada de um restaurante: a cozinha. Observei durante uns segundos tudo o que me cercava. Vários homens, cozinheiros, atarefados com a preparação da comida. Sorriram enquanto preparavam deliciosos pratos de massa. Um deles introduziu o que parecia ser uma pizza de carne com dupla porção de queijo, ou, como preferia chamá-la, “receita dos deuses”, em um forno de lenha que se abria na parede.

De repente ouvi a voz do tal Seth ao outro lado da cozinha.

— Emm, me alegro em te ver. E quem é a preciosa senhorita que trouxe contigo?

Engoli duro ao fixar meu olhar em uma águia tatuada em na parte superior de se braço. Forcei minha cabeça a levantar e deparei com a personificação do «menino mau» que deveria ter tatuado pelo corpo todo.

Abana Senhor!

— Olá.

O forte sotaque italiano e o exalar de “mafioso em criação” foram suficientes para que meu alerta de perigo soasse a toda em meu ouvido.

Ofereci minha mão no instante em que senti a possessão de Emmett rodear minha cintura.

— Prazer em conhecê-lo.

Um leve aceno de cabeças e o encanto foi quebrado por aquela voz em meu ouvido.

— Seth vivia a duas casas da minha. E é o responsável por todos os problemas e as brigas em que Jasper e eu nos metemos na adolescência, até que Esme o acolheu sob sua asa e mostrou o bom caminho.

Seth sorriu contente. E quando abriu a boca para dizer algo, Emmett o cortou com o olhar.

— Esquece, Seth. Essa já é minha.

O cozinheiro se aproximou ainda mais de mim, agarrando minha mão. Senti seu polegar percorrer minha pele entre o indicador e o polegar e, no mesmo instante, brotar uma cachoeira entre minhas pernas.

O puxão seguinte, só serviu para me separar do então, não sentido, calor que provinha do peitoral de Emmett onde eu estava encostada.

— Se esqueça da especialidade de Emm, Rosalie, e prove um pouco da minha.

Puta que pariu! Essa cozinha é mais que perigosa!

— Sim, Emmett. Já vejo ao que se referia com “senhor encrenca”. Estou certa de que você e Jasper eram anjos de candura até conhecerem esse daqui...

— Evidentemente querida. — Sua mão puxou-me novamente. — Quantas vezes tenho que repetir isso Seth? Quando uma mulher prova pela primeira vez um prato delicioso, nunca mais voltará para a comida lixo.

Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Impressão minha ou estava em meio a uma disputa de testosterona potencializada por corpos sedutores?

O cozinheiro respondeu com uma sonora gargalhada. E Esme logo interviu mandando Seth para o outro lado da cozinha...

E com isso voltei a velha e boa excitação Emmett de se ter e controlar.

Emmett POV

Mamma Mia!

Por Deus nunca havia reparado que preparar massa pudesse ser algo tão erótico. Claro que nunca antes tinha preparado lingüine com uma sensual e desejosa, cientista ao meu lado.

Rosalie era tão brilhante no laboratório como inapta na cozinha. Passados vinte minutos havia mais farinha em seu rosto, em sua roupa e em seu cabelo que sobre a mesa. Mas ela estava linda, inclusive com aquele aspecto tão desastroso.

Me posicionei quase que sem controle, de pé atrás dela, observando- a enquanto manipulava a massa como se fosse um tipo de vingança pessoal. A cena era tão cômica que não pude evitar minha gargalhada.

— Rosalie, está indo muito mal.

Ela levantou o queixo e apertou os lábios até que não foram mais que uma fina linha, claramente ofendida por minhas palavras e, sem se dar conta do quão sexy parecia.

— Desculpa, mas acaba de dizer que estou mal?

Acredito que por ela estar em meu território, tornei-me livre para atazanar aquela que em outros meios era minha superiora. Enquanto sorria contra sua carranca, levantei a mão e prendi uma mecha de seu cabelo que cintilava em sua face. E isso saiu mais sensual que qualquer outra atitude. Merda!

— Sim, está bem mal... Penso que a massa irá se revoltar de suas batidas e pulará em seu pescoço a qualquer minuto.

POFT!

Um punhado de farinha branca foi jogado em meu rosto.

A situação pedia medidas drásticas antes que a cozinha se tornasse um campo de batalha entre nós dois. Segurei seus pulsos e me pressionei em suas costas. Não tinha dúvidas quanto ela sentir minha ereção contra seu rabo.

— Seja bom comigo.

— Sempre sou.

Tentei me controlar e voltar a massa, antes que a tomasse aqui nesse chão, em meio a todos esses filhos da puta que a olharam com cobiça assim que entramos.

Encontrei forças do nó que se formava na boca do meu estomago.

— O que imagina que essa massa fez para que a trate assim?

— Quer dizer que não deveria estar tão granulosa?

— Com certeza não... O segredo Rose, querida, está exatamente na forma de amassar. Olhe. — Abri suas mãos com as minhas por cima. — Terá que amassar pouco a pouco, utilizando a palma da mão. Continua amassando até que a farinha se mescle e a textura seja mais fina.

E como um bom filho da puta, deixei que minha respiração chocasse contra seu pescoço nu devido a toca que Esme havia nos feito colocar. Controlei cada instinto de sedutor que possuía em meu corpo para não levar minha boca ali e acariciá-la como queria.

Meus desejos foram quebrados pelo ressurgimento da Princesa do Gelo. Rosalie afastou minhas mãos e meu corpo do seu rapidamente e com aquele sorriso maldoso nos lábios. Ela estava me pondo de escanteio.

— Certo, já entendi. Deixe-me provar.

Me afastei daquela endemoniada pessoa, que passou a golpear a massa como eu havia lhe instruído.

— Acredito que peguei o jeito.

Com um sorriso por cima de seu ombro, Rosalie parecia uma verdadeira Princesa, mas não mais de gelo... E sim de uma deliciosa massa, pronta para ser moldada em minhas mãos.

— AÊ, Emm, esta canção é para você.

Seth me gritou, antes de aumentar o volume do rádio e a canção Womanizer ressonou em toda a cozinha.

Rosalie começou a cantar e a seguir o ritmo com o corpo, enquanto eu só fitava Seth e um meio de fazê-lo pagar por ter lembrado-a do meu passado. Quando consegui formar um plano ideal, algo como esquartejar e pedir ajuda à Rosalie para desovar o corpo, pude me concentrar no traseiro dela, tão deliciosamente perfeito.

Movia-se de uma forma sensual enquanto cantarolava a canção entre dentes, fazendo com que me lembrasse daquela bendita moeda, da pele nua e sedosa, da boca carinhosa e quente…

Acabei por acelera o pulso e mais uma vez o Pequeno Emmett. Minha determinação e autocontrole se desfizeram imediatamente. Maldição. Desde que Rosalie tinha entrado em minha vida, vivia em um contínuo estado de excitação e sem a porra do potencializador nas veias.

Um calafrio percorreu meu corpo.

— Voilá! Consegui…

Rosalie deu um pulinho de felicidade vindo se chocar contra meu peitoral. Quando nossos olhos se encontraram, as palavras morreram na garganta e meus lábios tornaram-se secos.

— Eu… Acredito… Que consegui.

Era um sussurro e, não sua voz potente e firme, que saia de sua boca, após lubrificá-la com a língua e quase me levar a um orgasmo.

Fechei meus olhos para não gozar como um fodido depravado. Fuck! Como essa mulher podia dominar dessa forma meu corpo?

— Emmett…

Não sei se sua voz clamando por mim, ou talvez seu cheiro que já enchia minhas narinas, mas não consegui ter qualquer pensamento racional. Tomei ar e dei um passo à frente encurtando nossa distância.

Um beijo, eu só precisava de um curto e intenso beijo daquela boca.

E abri meus olhos, me deparando com ela. Que merda ia fazer? Engoli a saliva e vi, que minha mão estava a meio caminho de seu rosto, uma vez que ela mesma trocava os olhos entre os meus e minha mão.

— Tem farinha no rosto.

E com isso aproximei minha mão de seu rosto, limpando o pó branco de sua bochecha. O tremor de sua pele ao sentir o contato da minha mão me deixou divagar: podia ser que Rosalie me visse como algo mais que Emmett Cullen “o Selvagem”?

Ao menos ficava a esperança.

— Tem farinha nas bochechas.

Rosalie passou sua mão por meu rosto e tive a impressão que estávamos caminhando pelo mesmo trajeto.

— E você tem farinha por toda parte, preciosa.

Rosalie abaixou seus olhos até a blusa, e logo voltou a me encarar com um sorriso lindo entre os lábios.

— Tô vendo.

Não resisti e deixei que meu polegar acariciasse seus lábios sedosos e róseos. Seu olhar era singelo e calmo, arrisco a dizer que permissivo.

— Inclusive no cabelo.

Quando fiz menção de tirar minha mão de seu lábio para arrumar seus cabelos, Rosalie fez o que me segurei até então. Passou os braços ao redor de meu pescoço e, assim, sem prévio aviso, separou os lábios e meteu meu dedo em sua boca.

Santo Deus!

Um gemido começou a se formar em minha garganta e no momento em que fechou a boca ao redor do meu dedo e o chupou com força, soube que as coisas estavam fora de controle.

Esqueci por um instante onde estávamos e o respeito que tinha minha família. Trouxe-a para perto de mim e percorri seus lábios com a língua. Seu gemido retumbou pelo meu corpo todo, fazendo com que eu tomasse ciência dos mamilos eretos.

Beijei-a.

Sim, lábio com lábio, senti a ternura e calidez de sua boca. Em seguida, precisei vociferar sobre ela e praticamente travar um embate com nossas línguas.

Deslizei as mãos por suas costas até encontrar os limites de sua blusa. Uma vez sob o fino tecido, desenhei pequenos círculos sobre sua pele e desfrutei do consolo que aquele abraço me trazia.

— Então… Né, Emm.

Filho de uma puta banguela de Seth.

Rosalie abriu os olhos e imediatamente se afastou de mim assustada. Um segundo depois, tomei seu braço e a puxei contra meu peitoral novamente. Não permitiria que ela fugisse de mim… Não agora que havia me exposto de tal forma.

— Rosalie…

— Busca um quarto — burlou Seth.

Caralho. Seth seu viado, estará morto!

Soltei o braço de Rosalie.

“Bem feito. Assim que se demonstra que não é um playboy conquistador que come todas por aí.”

Minha mente me amaldiçoava por ter permitido chegar até aquele estágio novamente. Rosalie merecia que eu a tratasse muito melhor.

Tentei pedir-lhe desculpas com o olhar, mas assim que encontrei seu olhar, vi a merda que havia deixado seu coraçãozinho.

Com os dentes apertados e os músculos da mandíbula tensos, coloquei uma mínima distancia entre nós.

— Deixe aí preciosa… Voltemos ao restaurante e Seth termina de nos preparar uma refeição agradável.

Permaneci de olhos baixos o resto da noite, enquanto Esme e o restante de minha família contava de minha peripécias infantis e Rosalie sorria diante delas.

Nos despedimos com a promessa de voltarmos na próxima semana.

Acomodados no carro, o silencio imperou.

— Emm…

— Sim Rose?

— Obrigado por esta noite.

Seu sorriso chegava ao meu coração e o aquecia.

— Graças a você, foi divertido.

— Gostei de conhecer sua família.

— E eles de conhecer você.

Estiquei minha mão e toquei carinhosamente a sua. Rosalie por sua vez cobriu minha mão e não deixou que eu me afastasse.

— Sempre me sinto bem quando estou contigo.

Ela só podia estar brincando.

— Sério? Inclusive quando te enrolei no jogo?

— Bom, suponho que há algumas exceções à regra.

Uma vez no estacionamento de meu apartamento, fiquei inseguro de como iríamos proceder. Afinal a cada segundo minha cabeça era invadida com os acontecimentos da noite e com as sábias palavras de Esme.

Assim que me dirigi a Rosalie, vi seu olhar perdido até que em meio a um suspiro ela me encarou, e eu sabia que estava perdido.

Rosalie POV

— O que Esme quis dizer com: “não foi outro Cullen de frio coração”?

Emmett ficou imóvel um instante, franzindo o cenho.

— Meu pai e o restante de homens da família Cullen nunca foram capazes de manter uma relação duradoura. Todos eram uns playboys, incapazes de sentir algo verdadeiro por alguém. Depois que meu pai nos abandonou, minha mãe batizou o clã como: “Cullen de coração frio”.

Ok! Era aqui que eu começava a entender o comportamento de Emmett em relação as loiras acéfalas e peitudas as quais ele se misturava…

— E, sempre estive acostumado a dizer que comigo não seria diferente.

E ali estava o motivo.

Emmett não saia com aquele tipo por sua escolha. O fazia por conta do estereotipo empregado pela sua mãe. A quem eu queria enganar? Estava dando desculpa para o fato de Emm sempre ter mil mulheres em seu harém.

— Suas façanhas até a data não são muito alentadoras.

— Sei disso.

— Mas, me parece que Esme e Carlisle sempre tiveram fé em você. Acreditaram que você seria diferente.

— Sim, mas quando alguém te repete tantas vezes que quando crescer não será diferente de seu pai, acostuma-se a viver segundo essas expectativas.

Eu estava certa em defendê-lo dele mesmo, mas agora precisaria impulsioná-lo a mudar seu pensamento. Mas como?

— E o que precisa para provar a si mesmo que não é outro desses “Cullen de coração frio”?

— A mulher certa.

Engasguei!

Aquele olhar aterrador que ele havia me dado no restaurante surgiu com fúria e meu coração passou a ser descompassado. Era o mesmo olhar do restaurante, aquele que me fez sentia a mulher mais importante do mundo e me perguntar se podia ser que Emmett estivesse interessado nas quatro sílabazinhas.

O coração deu um tombo dentro do peito.

A expressão de Emmett refletia que algo estava se passando dentro da sua cabeça, assim como da minha.

Claro, somos seres pensantes, ou não?

De repente ele olhou por cima de meu ombro e comecei a me perguntar se não era alguma bunda gostosa que devia estar na calçada.

— O que acontece?

— Não sei. Acredito que vi algo. E prefiro não me arriscar, depois do ocorrido no laboratório e em seu apartamento.

PUTA MERDA!

Meu coração veio a boca novamente. Procurei por todos os cantos, mas na escuridão cega da rua, ficava impossível avistar algo ou alguém.

— Vamos, vamos entrar logo em casa.

Agarrei a bolsa que Esme havia me entregue com os ligüines e cacei a mochila que havia largado ao banco traseiro.

Emmett já estava abrindo a porta quando a encontrei.

— Home sweety home.

Demos alguns passos em direção ao edifício quando dois homens mascarados saíram das sombras. Instantaneamente senti as mãos de Emm sobre minha cintura.

— Merda. Vá para o carro e feche as portas.

— Não tão rápido. — Disse um dos mascarados, e tirou algo que escondia nas costas.

A luz de um poste distante permitiu que eu notasse a faca em sua mão.

— Dê a bolsa.

Puta merda! Queriam me roubar os lingüines?

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